A estrutura da brincadeira e a
regulação das relações
Entende-se
por brincadeira tradicional, um acontecimento relativo que envolve uma
organização social e estrutural para desenvolver uma série de atividades
realizadas por crianças, que envolve os costumes culturais do local onde estas
estão inseridas. O estudo se atentou em estabelecer uma investigação acerca
dessas brincadeiras e do fato da espontaneidade das crianças em se envolverem
nelas. E a partir disso, o estudo foi direcionado no estudo de brincadeiras
como peteca, papagaio, tratos, elásticos, dentre outras, para estabelecer
relações entre elas e analisar suas estruturas.
A
tese de partida do estudo se dá por meio de uma concepção de que a estrutura de
uma brincadeira - ritualizado - é um elemento importante no estabelecimento das
relações infantis, no sentido da socialização delas com outros indivíduos de
faixa etária compatível com os participantes da brincadeira proposta. Além de
que se pode notar que existem padrões de brincadeiras universais, mesmo que em
variedades regionais esses padrões não sejam exatamente os mesmos, porém com
similaridade notável entre eles. Como exemplo, o estudo cita a brincadeira de
“cabra-cega”, indicando que esta já era disseminada no século III a.C. entre os
romanos, Espanha, Alemanha, dentre outras localidades, apenas com a diferença
dos termos que nomeiam a brincadeira. No artigo é abordada a diferença entre
brincadeiras e jogos, onde a brincadeira não necessita de que um indivíduo tenha
o domínio do cenário de onde ocorre o jogo, das regras que o regem e de qual
indivíduo possui ou não a habilidade de entendimento do jogo para participar, o
que é exigido nos jogos, já que esses são norteados por regras específicas e
limitam o comportamento dos jogadores, fazendo com que os mesmos se vejam em um
ciclo fechado e repetitivo de possibilidades possíveis.
Já
falando sobre a brincadeira de peteca, Pontes e Galvão (1992), eles propuseram
regras em diferentes categorias, sendo elas: Regras preliminares gerais (RPG),
Regras preliminares da modalidade (RPM), Regras das modalidades (RM), Regras
variantes das modalidades (VM) e Regras Circunstanciais (RC). Onde cada uma
delas tem seus jargões específicos e seus níveis de entendimento e complexidade,
onde as regras de RPG são mais fáceis de compreender do que as regras de RC,
por exemplo. É a partir desses marcadores que é possível perceber que as regras
são diferentes em função daqueles que estão envolvidos na brincadeira. Sobre
tratos, podemos definir esse termo como um compromisso entre os indivíduos que
estabelecem que, caso haja determinado comportamento, a pessoa que o cometeu
será submetida a uma espécie de sentença previamente acordada entre “o réu e o
juiz". Ao passo que as consequências de um comportamento são voltadas,
majoritariamente, para algum tipo de agressão.
Por
último foi tratado o assunto de Brinquedos-Ponte, Aparentados e Formas Brandas.
Brinquedos-Ponte são aqueles que replicam o brinquedo principal, que são usados
por crianças menores com habilidade não tão desenvolvida. Como exemplo desse
tipo de brinquedo há a pipa, que é o brinquedo-ponte e os seus “acessórios”,
como rabiola, dentre outros são advindos de materiais industrializados.
Brinquedos Aparentados são aqueles que alteram a natureza do brinquedo usado,
porém conserva características do brinquedo principal, além de que esses
brinquedos são sazonais, ou seja, acompanham o tipo de brinquedo usado em
épocas diferentes, como exemplo brinquedos usados no verão que podem ser dos usados
no inverno por conta de mudanças climáticas que norteiam as brincadeiras para
vertentes diferentes das usadas anteriormente ao clima dessa estação.
As Formas Brandas são aquelas brincadeiras onde a criança tem o intuito de experimentação, para adquirir habilidades ainda em desenvolvimento ou até mesmo descobrir novas habilidades, porém essas brincadeiras à revelia envolvem riscos, por não possuírem um círculo de proteção delimitado, deixando brechas para que a criança se veja em situação de chacota, sanções dentre outras. Afinal, brincar é algo espontâneo e de interesse geral para, não apenas o convívio e socialização com outros indivíduos, mas também para adquirir habilidades e conhecimentos específicos de cada brincadeira, que podem ajudar no processo de compreensão de regras limites a serem obedecidos, e reconhecer ordens hierárquicas presentes não somente na brincadeira, mas nos âmbitos ao seu redor.
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