quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Relato da reunião LABBRINC em 25/08/2015



Durante a reunião do LABBRINC UEG em 25 de agosto de 2015 foi realizada a discussão sobre o capítulo 03 do livro "Psicologia Pedagógica" de Vigotski. Novamente foi destacado o contexto histórico em que foi escrito o livro e quais as intenções do autor em organizar esta obra. O contexto era de um país em plena revolução social, onde a sociedade dominada pela elite czarista e caracterizada por profundas divisões de classe, estava sendo totalmente transformada, e em seu lugar se objetivava construir uma nova sociedade pautada nos valores comunistas de igualdade social e sem distinções de classes. Mas, segundo Vigotski,  para a construção desta nova sociedade, era preciso também uma nova educação identificada com os interesses dos trabalhadores e de toda a classe proletária. Daí surge o livro "Psicologia Pedagógica" de L. S. Vigotski, cujo objetivo era de formação de novos professores de educação básica para uma nova sociedade que se estabelecia. 
Vigotski toma como referencial para seus estudos o Marxismo, onde consegue apontar saídas e alternativas para a crise que se instalava na ciência positivista de sua época. Segundo Vigotski, com bases nos pressupostos marxistas, é impossível explicar a conduta humana exclusivamente do ponto de vista biológico. (VIGOTSKI, 2003, p.62). Utilizando-se do conceito de trabalho em Marx, Vigotski afirma que o homem através do trabalho foi capaz de adaptar a natureza a si, transformando-a e ao mesmo tempo sendo transformado, diferentemente dos demais animais da natureza, que já nascem adaptados à natureza. Através do trabalho, que é uma ação planejada e racional, o ser humano é capaz de regular e controlar os processos vitais entre si e a natureza, e incorporando à sua experiência "algo novo",  que transformou o homem em um ser singular na natureza. Daí, através do trabalho, o homem se faz homem, e se transforma em cada agir consciente, planejado e sistematizado, que é o próprio trabalho.

"Acima de tudo, no comportamento humano - em comparação com a dos animais - observamos a utilização ampliada da experiência das gerações anteriores. O ser humano não aproveita apenas a experiência destas gerações na escala estipulada e transmitida pela herança física. Todos nós utilizamos na ciência , na cultura e na vida a enorme quantidade de experiência acumulada pelas gerações anteriores, que não é transmissível mediante a herança biológica. Em outras palavras, ao contrário dos animais, no ser humano existe uma história, e essa experiência histórica, essa herança não física, essa herança social, é  o que o distingue do animal."  (VIGOTSKI, 2003, p. 62)

Neste capítulo Vigotski busca decifrar o caráter consciente da conduta humana e tenta elucidar qual é a natureza psíquica da consciência. Para Vigotski a consciência é uma das formas mais complexas de organização do comportamento humano, e cita a expressão de Marx de "duplicação da experiência", referindo-se à consciência humana.
Vigotski então constrói a fórmula do comportamento humano através da seguinte representação matemática:
[1] reações hereditárias + [2] reações hereditárias x experiência pessoal (reflexos condicionados) + [3] experiência histórica + [4] experiência social + [5] experiência duplicada (consciência).
Segundo Vigotski os primeiros componentes [1] e [2] são comuns aos homens e animais, porém, a experiência pessoal, histórica, social e a consciência são características exclusivamente humanas, e surgem como pressuposto e também produto do trabalho humano. Assim sendo, torna-se inegável as características biológicas do ser humano, que se tornam o ponto de partido para a formulação das teorias vigotskianas, entretanto, as mesmas são insuficientes para explicarem os fenômenos do comportamento humano, como o da consciência, por exemplo. 

"Portanto, o fator decisivo do comportamento humano não é só o fator biológico, mas também o social, que confere componentes totalmente novos à conduta do ser humano." (VIGOTSKI, 2003, p. 63)



PRÓXIMO ENCONTRO EM  08/09/2015 às 18h30 na SALA 12  UEG - campus GOIÂNIA ESEFFEGO

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

PRÓXIMO ENCONTRO: 25/08/2015 - CAPÍTULO 03 DO LIVRO "PSICOLOGIA PEDAGÓGICA"

INFORME LABBRINC 2015:


O PRÓXIMO ENCONTRO LABBRINC SERÁ DIA 25 DE AGOSTO (próxima terça-feira), ÀS 18h30, NA SALA 12 DO CAMPUS GOIÂNIA ESEFFEGO - UEG.
NESTE PRIMEIRO, ENCONTRO DO SEGUNDO SEMESTRE DE 2015, DAREMOS CONTINUIDADE AO ESTUDO DO LIVRO "PSICOLOGIA PEDAGÓGICA" DE L.S. VIGOTSKI, INICIANDO O ESTUDO A PARTIR DO CAPÍTULO 03 DESTE LIVRO.
O CAPÍTULO 03 DE "PSICOLOGIA PEDAGÓGICA" ENCONTRA-SE NO LINK ABAIXO, E PARA QUEM PREFERIR, ESTÁ DISPONÍVEL TAMBÉM NA COPIADORA EM FRENTE AO ESTACIONAMENTO DA ESEFFEGO PARA REPRODUÇÃO.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS(AS)!

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Apresentação de Trabalhos - LABBRINC em 14ª JORNADA DO NÚCLEO DE ENSINO DE MARÍLIA

Trabalho N.º14727
Autor:RENATO COELHO, MARLLOS DE SOUZA DUARTE
Categoria:Resumo
Título:O JOGO DE XADREZ É COISA SÉRIA? A BRINCADEIRA E O LÚDICO NO ENSINO DO JOGO DE XADREZ
Tema:Tema Único
Resumo:Resumo: Através de uma pesquisa participante, buscou-se introduzir o jogo de xadrez entre alunos de uma escola pública de Goiânia, de forma divertida, alegre e historicizada, resgatando elementos lúdicos através das antigas lendas e histórias sobre as origens do jogo de xadrez. As regras do jogo de xadrez foram apropriadas pelos alunos através de contação de histórias (lenda de Sissa), encenações teatrais e brincadeiras. Esta pesquisa qualitativa teve como objetivo geral a inserção do jogo xadrez numa escola pública de forma lúdica, crítica e historicizada. Para alcançar os objetivos da pesquisa, foram realizadas oficinas de xadrez na escola em conjunto com as aulas de matemática, onde introduzimos a lenda e a história do xadrez, bem como a prática e experimentação com o tabuleiro, para promoção de uma vivência de forma lúdica, prazerosa e historicizada. Com esta pesquisa participante foi possível resgatar o jogo do xadrez na escola pública através de sua lenda e história, demonstrando novas possibilidades criativas no ensino do xadrez escolar, fugindo do ensino tradicional, mecânico e tecnicista vigente. Através de uma abordagem historicizada, lúdica e crítica, pôde-se tornar a aprendizagem do xadrez um momento prazeroso, alegre e divertido, além de promover nos sujeitos envolvidos uma verdadeira tomada de consciência sobre temas importantes relacionados questões sobre gênero, divisão de classe, racismo, relações de poder e inclusão.
Palavras Chave:Jogo de xadrez. Lúdico. Escola.
N.º Autores:1
DUARTE, MARLLOS DE SOUZA
UEG - Universidade Estadual de Goiás
http://www.inscricoes.fmb.unesp.br/publicacao.asp?codTrabalho=MTQ3Mjc=

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Relato da Reunião em 23-06-2015


Por que a criança brinca? Essa é a pergunta central que Vigotski faz ao leitor em seu texto "A brincadeira e o seu papel no desenvolvimento psíquico da criança", explicando que a brincadeira infantil surge a partir dos desejos irrealizáveis dentro do mundo adulto, e que são satisfeitos através de uma ação imaginária e ilusória, a brincadeira. 
Quando a criança pré-escolar deseja andar de cavalo, mas sabe da impossibilidade de realizar este seu desejo, então, ela começa a brincar com a vassoura, por exemplo, e este objeto, de forma imaginária, se torna um cavalo.
Para Vigotski, a criança na fase da primeira infância, não consegue diferenciar o campo visual do campo semântico. Já, a partir dos 03 anos (idade pré-escolar) a criança passa então a distinguir o campo visual e o semântico, ou seja, diferencia aquilo que vê (objeto) de seu significado (sentido).

"Isso torna-se possível em razão da divergência, que surge na idade pré-escolar, entre o campo visual e o semântico." (p. 26).

Para Vigotski o brincar infantil não é um lugar separado do real, ao contrário, para este autor a brincadeira e a própria situação real coincidem, sendo que as próprias regras do brincar advêm das regras do comportamento real.

"As ações da brincadeira que combinam com a situação são somente aquelas que combinam com as regras. " (p.27).

Para Vigotski qualquer situação imaginária vivenciada pela criança possui em si regras de comportamento, e também qualquer brincadeira com regras contem também situações do imaginário. Logo, para o autor a criança é livre, mas esta liberdade da criança é apenas  ilusória.
Vigotski ressalta ainda que durante a chamada primeira infância, a força impulsionadora para a criança está nos objetos, e estes acabam determinando o seu próprio comportamento. Já na idade pré-escolar, isso de fato não acontece mais, pois os objetos em si acabam perdendo o seu poder impulsionador de outrora, já que a criança começa a agir de forma diferente em relação a tudo o que vê.

"Devido ao fato de, por exemplo, um pedaço de madeira começar a ter papel de boneca, um cabo de vassoura tornar-se um cavalo, a ideia separar-se do objeto, a ação, em conformidade com as regras, começa a determinar-se pelas ideias e não pelo próprio objeto." (p.30).

Segundo Vigotski, nessa guinada na relação entre ideia/objeto, a brincadeira cumpre um papel fundamental e proporciona a efetiva transição para isso. O objeto que antes possuía predominância, passa então, a partir deste chamado momento crítico,  a ser um elemento subordinado ao sentido, e este por sua vez passa a ter predominância sobre o próprio objeto. Numa relação matemática, teríamos em um primeiro momento a fração OBJETO/SENTIDO representando a supremacia do campo visual sobre o semântico na primeira infância (0-3 anos). A fração se inverte quando surge o momento crítico, ou seja, quando o campo semântico (significados) supera o campo visual, criando uma nova relação SENTIDO/OBJETO, onde a partir de agora a criança passa a abstrair o próprio objeto, dando-lhe novos sentidos com base no imaginário.

"Dessa forma, na brincadeira, a criança cria a seguinte estrutura sentido/objeto, em que o aspecto semântico, o significado da palavra, o significado do objeto, e dominante e determina seu comportamento." (p.31).

objeto predominante                       objeto subordinado

OBJETO                   momento crítico              SENTIDO
SENTIDO                                                          OBJETO